Como as mulheres podem superar os desafios profissionais em Segurança cibernética

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Uma série de estigmas sociais e falta de incentivos adequados mantiveram a força de trabalho feminina longe do setor de Cibersegurança durante muito tempo. Agora, o mercado busca agregar cada vez mais essas profissionais como forma de responder ao GAP de mão de obra e a carência de soft skills necessários


*por Thaís Santana   

A batalha das mulheres no mercado de trabalho em busca de maior igualdade de gênero é contínua e abrange diversos setores. No que tange ao setor de TI, ambiente predominantemente masculino, felizmente vemos um aumento da representatividade feminina e isso é confirmado por meio de pesquisas que indicam o crescimento da nossa participação em 60% nos últimos cinco anos. Em 2021, foram contratadas 56.306 mulheres no setor de TI no Brasil, de acordo com a Brasscom, RAIS e Caged.

 

No entanto, essa “limitação” nem sempre esteve relacionada a uma questão de gênero, mas sim à atratividade em um mercado que, até então, não impulsionava habilidades tão valiosas que o perfil feminino tem como a criatividade, a persistência e um olhar criterioso. Diversos estudos têm comprovado que equipes com diversidade de opiniões, comportamentos, experiências e habilidades têm maior performance e geram melhores resultados, pois tendem a buscar soluções inovadoras, desenvolver conexões e abordar novas perspectivas. Para tornar o ambiente de trabalho mais inclusivo às minorias, é necessário que essa população tenha acesso a informação para capacitar-se  e que o ambiente seja acolhedor.

E em um contexto em que a escassez de habilidades tecnológicas comina os planos de transformação digital de organizações em todo o mundo, bem como o trabalho híbrido e flexível ganha mais adesão, a diferença de gênero pode reduzir, proporcionando um quadro mais otimista na atração e desenvolvimento dos talentos femininos.

Segundo a Hays Colombia, atualmente a formação da maioria dos profissionais de cibersegurança é composta por aspectos técnicos e soft skills, possibilitando atuar de forma multidisciplinar e plural nas empresas, sem medo de desafios. É essencial a busca por formação contínua, aprendizado constante, dedicação às especializações e certificações, além de trabalhar bem em equipe.

Neste sentido, quando uma empresa assume o compromisso de buscar a equidade, ela reconhece que as pessoas não são todas iguais e é necessário ajustar esse desequilíbrio. Esse compromisso precisa estar na estratégia do negócio, pois só assim a companhia disponibilizará investimentos (tempo e dinheiro) na causa, e isso mudará a cultura organizacional.

Esse processo de mudança, envolve treinamento a gestores para eliminar vieses inconscientes, engajar e reter uma força de trabalho diversa ao longo do tempo, além de desafiar de maneira consistente a falta de progresso ou de impacto positivo. Para promover a inclusão efetiva, é necessário que a empresa tenha intencionalidade no recrutamento dos profissionais, especificando gênero, etnia e opção sexual, e garantindo pagamentos igualitários, além de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Quando versamos o olhar sobre o setor de tecnologia, vemos que é um dos setores que mais sofre com a desigualdade de gêneros e, portanto, tem promovido iniciativas de políticas de inclusão para atrair maior diversidade e cobrir um gap no volume de oportunidades. Em um panorama de grande demanda por talentos em TI e adoção do modelo de trabalho híbrido, a tecnologia vem se destacando como um dos setores líderes em termos de reequilíbrio de gênero em diversos países, oferecendo o nível de flexibilidade que as mulheres com famílias necessitam há muito tempo.

O relatório da International Science Council sobre mulheres na segurança cibernética, destaca a necessidade de apoiar as mulheres na busca por carreiras STEM (disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática). A importância da participação feminina visa o equilíbrio de escala, criação de um ambiente mais inclusivo e representativo que inspire as futuras gerações de mulheres a ingressar neste campo.

Assim, as mulheres não deveriam olhar para o setor de tecnologia e pensar que esse ambiente não é para elas. Para quebrar esse tabu, é necessário começar lá atrás, na escola, que tem papel fundamental no incentivo e empoderamento de mulheres para o mercado. E assim, estimular o envolvimento delas nas áreas de exatas, tecnologia e programação; abordando a ampla possibilidade de atuação.  Ao mesmo tempo, é preciso desmistificar o pensamento de que as carreiras técnicas exigem pessoas com formação diferenciadas, alto conhecimento e QI. É primordial oferecer mais condições de pertencimento e a existência de referências no mercado. 

Outro ponto importante a ressaltar é a ocupação de cargos de direção ou de tomada de decisão por mulheres, que não é um processo natural e ágil. Pelo contrário, nos Estados Unidos, em alguns casos parte de pressões por uma lei estadual que multe empresas públicas baseadas no estado (como na Califórnia) que tenham apenas homens no conselho de diretores, ou até mesmo pelo mercado, impossibilitando a abertura de capital de empresas que não tenham pelo menos uma mulher na diretoria, como aborda uma política divulgada pela Goldman Sachs em 2020.

Não obstante, o crescimento da participação de mulheres no mercado de cibersegurança no Brasil é acompanhado de uma projeção de ocupação de cargos de liderança, que deve explorar as características femininas como um diferencial em uma gestão de alta produtividade, empática, enxergando a maternidade como a possibilidade de entender mais o próximo e suas questões pessoais.


*Thaís Santana é gerente de Distribuição – Brasil e NOLA na Check Point Software


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