“CISO, sua posição estratégica vai além de certificações”, diz Roberto Arteiro

Durante o Security Leaders Recife, o mentor do programa ITXPRO traz uma reflexão para os líderes locais sobre como desenvolver uma carreira sólida em Cibersegurança. Para ele, apesar das pesquisas mostrarem altos salários da categoria, poucos profissionais conseguem alcançar esses patamares devido a carência de aprendizados e desenvolvimento otimizado do indivíduo

Compartilhar:

Mesmo dominando os hardskills e frameworks necessários a um bom trabalho em Cyber Security, os profissionais com atuação em Segurança, Risco e Compliance enxergam um cenário cada vez menos vantajoso para o desenvolvimento de carreira. Isso ocorre, segundo o mentor do projeto ITXPRO, Roberto Arteiro, devido à impossibilidade desses colaboradores de cuidarem do próprio desenvolvimento de capacidades diante das mais variadas demandas. Para ele, existe um grande mercado, mas para que o CISO conquiste posições mais estratégicas, é preciso ir além das certificações.

“Todos nós trabalhamos diariamente para produzir mais conhecimento a fim de buscar um posicionamento estratégico nas companhias, mas o mercado volátil, a frustração das expectativas e muita aprendizagem desperdiçada estão cansando e deprimindo os profissionais de Cibersegurança. Isso mostra que a nossa interpretação sobre o papel estratégico dos CISOs também precisa mudar para nós mesmos”, afirmou Arteiro durante o Security Leaders Recife, que aconteceu ontem (24) na capital pernambucana.

Uma das evidências desse contexto, segundo o mentor, está nos próprios salários dos profissionais. Apesar de estudos como o do Skill Software apontarem o setor de Cybersecurity como um dos mais bem pagos do mundo, essa realidade ainda é extremamente desigual entre toda a categoria, devido a carência de aprendizados comportamentais, além de um desenvolvimento mais otimizado do profissional de Segurança.

“Onde está a parte de vocês nesse cálculo? Poucos aqui, de fato, recebem os valores mais altos de pagamento, pois ainda falta competitividade no mercado de Cyber, ainda pouco suprido de profissionais realmente capacitados nessas funções. Para isso acontecer, as carreiras devem ser desenvolvidas de forma acelerada. Gastar 20 anos de preparação fará as tendências de hoje se tornarem obsoletas antes de as dominarmos”, explicou Arteiro.

Desenvolvimento exponencial de carreiras

Com o objetivo de criar profissionais estratégicos, o executivo defende que a Comunidade Cyber adote métodos de desenvolvimento ágil de carreira buscando preparar profissionais da melhor forma possível, visando exercer cargos de C-Level. Assim, a mentoria pretende apoiar os profissionais de Tecnologia e Segurança informacionais com quatro passos essenciais.

O primeiro envolve planejamento de carreira. Embora possa parecer algo óbvio, Roberto Arteiro alerta ser ainda um quesito pouco aplicado pelas pessoas. A partir desse ponto, os profissionais de Cyber devem traçar um trajeto em direção ao próprio objetivo, focando em definir as proficiências exigidas por esse caminho.

“Hoje em dia, muita energia é gasta nessa área conosco criando habilidades técnicas em vez de planejarmos carreiras baseadas na nossa paixão pelo tema. Com frequência é importante darmos um passo atrás em favor da melhoria das nossas soft skills, como comunicação, liderança e influência de acordo com a demanda do nosso projeto de vida”, complementou o executivo.

Uma vez definido esse plano de carreira, é necessário se desenvolver além do conhecimento técnico, mas mantendo um nível de otimização desse treino. Em vez de estudar intensamente todos os assuntos, Arteiro recomenda entender quais os problemas enfrentados pela carreira e gerar competências realmente úteis na resolução deles. Isso evitará desperdício de tempo em estudos que não apoiarão a jornada.

Por fim, o profissional deve ir à campo e aplicar as habilidades adquiridas e validando os resultados com especialistas de Cyber. Esse processo contínuo será importante para desenvolver experiência – a quantidade de problemas resolvidos pelos próprios conhecimentos, segundo o mentor – e criar autoridade entre seus pares no setor, participando das discussões públicas e fazendo-se ser notado em fóruns e congressos.

“Dentro de palestras como essa, só serão lembrados aqueles que interagem com o apresentador, fazendo perguntas e observações baseadas nesses conhecimentos adquiridos em sua trajetória. Isso ajuda a colocar o profissional em evidência e comprova a sua própria autoridade sobre o assunto aos outros presentes”, aconselhou o executivo.



Arteiro encerrou lembrando da necessidade de se quebrar os moldes sustentados pela profissão como meio de alcançar o posicionamento estratégico desejado pelos Líderes de SI. “Precisamos cada vez mais quebrar o padrão estabelecido em Cyber, e esse processo visa ajudá-los a priorizar as próprias carreiras e se tornarem melhores no que fazem”, conclui.


Conteúdos Relacionados

Security Report | Destaques

Articulação global é crítica para transformar proteção de dados, defende Observatório Iberoamericano

Em um mundo onde as informações dos indivíduos não estão mais restritas às fronteiras nacionais, construir cooperação com nações vizinhas...
Security Report | Destaques

Cyber na era dos agentes: como o setor se transforma com a IA autônoma?

Debate no Security Leaders Brasília aborda a transição da automação simples para sistemas autônomos, o futuro do Nível 1 de...
Security Report | Destaques

Ecossistemas em risco ampliam necessidade de proteger supply chain

Líderes de Segurança do setor financeiro discutiram as novas ameaças abertas na cadeia de fornecimento, em especial vulnerabilidades não monitoradas,...
Security Report | Destaques

Por dentro da gestão de risco: Executivos apontam ações para ampliar maturidade Cyber

Líderes de Segurança gaúchos reforçam que a melhor estratégia para gerenciar riscos digitais envolve uma boa maturidade cibernética, construída a...