Campanha usa deepfake de Lionel Messi para promover app fraudulento, alerta pesquisa

Golpistas recorreram ao deepfake para sobrepor a voz do jogador em vídeo de divulgação de um aplicativo que promete lucros financeiros

Compartilhar:

Nos últimos dias, um usuário do X (antigo Twitter) denunciou a circulação de um vídeo fake no qual o jogador de futebol Lionel Messi é visto promovendo um aplicativo chamado “Wildcat Dive”, e afirmando que este era uma de suas principais fontes de renda.

 

O anúncio não se trata de uma propaganda verdadeira, mas sim de um deepfake. A tecnologia produz um vídeo, imagem ou áudio artificialmente que imita a aparência e voz de uma pessoa. Em alguns casos, o resultado dessa imitação pode ser tão convincente que pode enganar tanto as pessoas quanto os algoritmos.

 

O vídeo falso circula através de anúncios no Instagram e utiliza trechos de uma entrevista real concedida pelo jogador a um programa argentino de streaming chamado “Olga”. No vídeo alterado, tanto a voz do entrevistador quanto a do jogador de futebol foram artificialmente modificadas para fazer os espectadores acreditarem que estão conversando sobre o aplicativo.

 

Além disso, os golpistas usam duas estratégias adicionais para reforçar essa falsa crença: em primeiro lugar, o jogador de futebol menciona outras fontes de renda, como contratos publicitários com marcas reconhecidas. Em segundo lugar, são mostrados vídeos enquanto o jogador fala, para evitar que o usuário perceba as diferenças entre a voz e o movimento dos lábios das pessoas envolvidas e, assim, detecte a fraude.

 

A equipe de pesquisa da ESET analisou o aplicativo supostamente promovido e identificou que ele está disponível apenas para dispositivos iPhone, publicado na loja oficial de aplicativos para iOS. Lá, o aplicativo é apresentado como um jogo simples de quebra-cabeça, sem fazer menção a ganhos monetários além da busca por “tesouros” dentro do jogo.

 

“Embora a versão atual do aplicativo não funcione depois de baixada e a descrição e as imagens mostradas na loja não forneçam mais informações, as análises mencionam algumas funções interessantes. De acordo com elas, o jogo tem funcionalidades de apostas, permitindo que os usuários invistam dinheiro e obtenham lucros com isso”, comenta Martina López, Pesquisadora de Segurança da Informação da ESET América Latina.

 

O aplicativo possui avaliações de usuários suspeitos, com erros de escrita e de pontuação. Isso poderia indicar que algumas delas foram escritas de forma desonesta.

 

Avaliações do aplicativo Wildcat Dive

Aquelas avaliações que fornecem uma pontuação mais baixa denunciam que o aplicativo é fraudulento e não permite a retirada do dinheiro investido܂ Por outro lado, as pesquisas em diferentes mecanismos de busca nos últimos dias sugerem que eles podem ter usado a imagem do ex-jogador de futebol David Beckham com o mesmo propósito enganoso.

 

Nas horas seguintes à sua publicação, o apresentador que entrevista Lionel Messi no vídeo original (que também é vítima neste ataque) esclareceu que se trata de uma farsa. Diante deste e de outros tipos de ataques que envolvem conteúdo manipulado ou deepfake, a ESET compartilha as seguintes orientações:

 

  • Verificar a fonte: antes de acreditar ou compartilhar conteúdo online, é fundamental verificar a autenticidade da fonte, investigar a reputação e a credibilidade do site, da conta de redes sociais ou do aplicativo que está promovendo o conteúdo.

 

  • Analisar o contexto: deve-se examinar o contexto em que o conteúdo é apresentado. Este coincide com o tom e o estilo habitual da pessoa ou organização mostrada no vídeo? Se algo parecer fora do lugar ou improvável, é possível que seja um deepfake.

 

  • Comparar com fontes confiáveis: diante de dúvidas sobre a veracidade de um vídeo ou notícia, é possível compará-los com fontes confiáveis e verificadas, como outros sites, entrevistas ou escritos, para obter uma perspectiva mais completa e precisa.

 

  • Estar atento às inconsistências: detalhes como movimentos faciais irregulares, erros na sincronização labial ou anomalias na qualidade do áudio e vídeo podem ser sinais de que o conteúdo foi manipulado digitalmente.

 

  • Manter-se informado: estar ciente das últimas tendências e desenvolvimentos em tecnologias de manipulação de mídia, como os deepfakes, é vital para identificar e evitar desinformação e conteúdo fraudulento online.

 

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Cibercrime reforça uso de phishing por QR code para comprometer credenciais, alerta estudo

Ataques de phishing com QR Codes se tornam mais sofisticados ao usar páginas falsas personalizadas, aponta estudo. Os meios de...
Security Report | Overview

97% da empresas brasileiras veem retornos positivos em investimento na privacidade

Devido a esse foco maior na privacidade, as organizações nacionais têm voltado seus esforços e recursos para transformar a governança...
Security Report | Overview

ANPD reúne autoridades de data protection para discutir cooperação global

Encontro contou com representantes de países da América Latina, Europa e África com vistas a reforçar a importância da cooperação...
Security Report | Overview

22% dos anexos maliciosos em phishing possuem formato PDF

Considerando que mais de 87% das organizações no mundo usam PDFs como um padrão para comunicação corporativa, diversos agentes cibercriminosos...