Checagem de Idade: Qual a utilidade para a proteção de dados de menores?

A proteção dos dados requer colaboração entre empresas e educadores para garantir a segurança digital dos jovens

Compartilhar:

Em um cenário em que 79% dos adolescentes brasileiros, entre 9 e 17 anos, acessam a internet diariamente, a proteção de dados de crianças e adolescentes se torna cada vez mais essencial. Com o aumento da conectividade e o uso crescente de plataformas digitais como redes sociais, jogos online e aplicativos educacionais, é fundamental que as empresas adotem um primeiro passo crucial para a proteção de menores: a checagem de idade.

 

Esse processo é uma ferramenta indispensável para não só proteger essa parcela mais vulnerável da sociedade, mas também para garantir que as decisões subsequentes sobre o tratamento de dados desses menores sejam tomadas de forma embasada e segura. Com essa validação inicial, e a depender da natureza de cada negócio, pode ser tomada uma decisão embasada sobre autorizar ou não a criação de conta, sobre solicitar ou não o consentimento de um responsável, e sobre adotar ou não outras medidas mais rigorosas. Isso assegura que o foco permaneça na proteção da privacidade e da segurança dos jovens usuários.

 

Para Thoran Rodrigues, especialista em dados e CEO da BigDataCorp, essa checagem é necessária para garantir a proteção adequada dos menores no ambiente digital. “Diversas pesquisas mostram que existe um risco real na exposição excessiva dos menores no ambiente digital, e a LGPD tem a preocupação de diferenciar os dados desses indivíduos com relação ao seu tratamento”. A validação de idade do usuário, portanto, é um pilar essencial para garantir que todas as ações posteriores sejam eficazes e estejam de acordo com as normas legais.

 

Além de atender às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a verificação de idade do usuário permite que as empresas adotem estratégias alternativas adicionais para proteger essas pessoas. Seja com camadas adicionais de segurança da informação, políticas de privacidade e termos de uso redigidos especificamente para esse público, ou mesmo com a restrição de funcionalidades e do conteúdo exibido, diferentes mecanismos de proteção podem ser implementados para ir além do simples cumprimento da lei. Com isso, as empresas constroem a confiança dos usuários e de suas famílias no ambiente digital.

 

Olhando especificamente para o mercado de jogos online e de apostas, esse controle de idade eficaz torna-se ainda mais crítico. Além dos riscos de privacidade e de exposição a conteúdo inadequado, existem restrições regulatórias sobre o acesso de menores a essas empresas, e existe também um risco reputacional grande caso sejam identificados menores de idade participando de jogos de azar. Assim, é essencial que as empresas utilizem sistemas eficientes de verificação e ferramentas de controle parental.

 

A educação digital para os pais e responsáveis é algo que deve caminhar com os processos de validação e restrição de acesso. As empresas têm a capacidade e a responsabilidade de restringir o acesso de menores aos seus produtos e serviços, mas é importante que os adultos entendam os riscos do ambiente digital, para poderem supervisionar a atividade online de seus filhos.

 

Essa educação deve ocorrer nas escolas e outras instituições de ensino, mas deve também contar com a participação das plataformas digitais, de maneira que todos estejam colaborando para conscientizar crianças e adolescentes sobre a segurança digital.

 

“Proteger os dados de crianças e adolescentes não é apenas uma obrigação legal, mas uma responsabilidade social. Empresas, governos e sociedade civil precisam trabalhar juntos para criar um ambiente digital seguro e saudável, que permita às novas gerações usufruir da tecnologia de forma segura e protegida”, finaliza o especialista.

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

22 segundos é a nova velocidade do ataque cibernético, segundo relatório

A Redbelt Security apresentou o dado na 5ª edição do EXPAND, que ainda ressaltou o vetor de entrada mais comum...
Security Report | Overview

Roubo de contas no Instagram expõe riscos de autonomia da IA?

Possível invasão de contas do Instagram por meio de chatbot de suporte com IA reforça riscos de delegação excessiva de...
Security Report | Overview

Técnica dos anos 60 é reutilizada para criar QR codes maliciosos, alerta pesquisa

Kaspersky identifica técnica que recria QR Codes usando apenas letras e símbolos de teclado, burlando proteções tradicionais que só buscam...
Security Report | Overview

Threat Intel detecta aumento de ataques direcionados à Copa do Mundo FIFA 2026

Setores financeiro, de transporte, hotelaria e apostas online estão entre os principais alvos dos cibercriminosos, aponta estudo da companhia