ChatGPT e os riscos de segurança

Da mesma forma que os cibercriminosos podem tentar encontrar meios para usar a nova tecnologia, as empresas também deveriam se munir de sistemas com Inteligência Artificial para criar barreiras, monitorar aplicações diante de movimentações incomuns e proteger seus dados

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*Por Lucas Pereira

 

O impacto do ChatGPT em nossas vidas e no trabalho será enorme, ainda mais porque a tecnologia tem o potencial aumentar a produtividade, reduzir custos e oferecer mais serviços aos clientes. Sob o ponto de vista das vantagens, por utilizar Deep Learning (Aprendizado Profundo) para imitar como as pessoas se comunicam, o ChatGPT consegue criar diálogos inteligentes que são mais precisos do que as conversas geradas por robôs tradicionais, também conhecidos como chatbots. Nesse contexto, tem grande capacidade de gerar conteúdos e respostas instantâneas para os mais diversos segmentos.

 

Entretanto, pode gerar preocupações sobre os riscos de segurança cibernética, de violações de privacidade e até de manipulação de dados por conta de sua capacidade de criar conteúdo em um ritmo super acelerado, inclusive Fake News (notícias falsas). Da mesma forma, os hackers já devem estar testando possibilidades de usar essa tecnologia em seus trabalhos criminosos, criando malwares (programas maliciosos) ou outras possibilidades que ajudem na invasão de sistemas e de companhias dos mais diversos setores. A criatividade dos alguns desses criminosos cibernéticos é enorme, chegando até a criar promoções falsas e páginas de web muito parecidas com as originais das empresas para coletar dados e senhas de clientes que, muitas vezes, nem percebem que estão em um link falso.

 

Os especialistas em segurança alertam: todo cuidado é pouco. Obviamente, o uso do ChatGPT pode ser muito positivo, mas vale lembrar que essa tecnologia está em fase de teste e ainda é gratuita. Com isso, as garantias de segurança são mínimas. Temos um interesse imediato que é grande em relação ao tema, pois, afinal, a Inteligência Artificial (IA) que aparecia nos filmes de ficção já está começando a ficar presente em nossas vidas. Porém, da mesma forma que os avanços chegam, os riscos também crescem, demandando o uso de modernas ferramentas especiais para proteger os sistemas e identificar com rapidez pontos de vulnerabilidade que podem gerar eventuais invasões.

 

Outra preocupação que se soma aos riscos de cibersegurança é o uso indevido dos dados. Embora não colete dados pessoais que parecem ser críticos no momento da criação de uma conta, o ChatGPT reúne informações sobre as perguntas que os usuários fazem e as respostas que recebem. Esses dados podem ser usados para melhorar a precisão do modelo e aprimorar sua capacidade de fornecer respostas ainda mais precisas. No entanto, não há garantia de que essas informações serão usadas para outros fins, para atividades criminosas ou até mesmo para aplicar golpes com perfis falsos ou publicidade enganosa.

 

Certamente, ninguém deseja barrar os avanços ou impedir o uso de novas tecnologias. Porém, antes de utilizar qualquer novo sistema, o correto é se proteger e certificar de que o uso não colocará a empresa em risco, agora ou no futuro. Sistemas do tipo ‘Cavalo de Tróia’ podem ficar muito tempo dentro da infraestrutura de uma empresa antes que criminosos escolham o momento certo para invadirem sistemas ou que peçam dinheiro em troca da devolução de dados, após um sequestro digital.

 

Da mesma forma que os cibercriminosos podem tentar encontrar meios para usar a nova tecnologia, as empresas também deveriam se munir de sistemas com Inteligência Artificial para criar barreiras, monitorar aplicações diante de movimentações incomuns e proteger seus dados. A engenharia reversa pode ser aplicada para descobrir se alguém tenta quebrar as barreiras eletrônicas ou até como estão sendo desenvolvidos os códigos para criação de malwares.

 

A cibersegurança deve ser abordada de forma holística e ampla, com a implementação de boas práticas e medidas de segurança em várias camadas do sistema, como a criptografia dos dados, autenticação de usuário, firewalls, detecção de intrusão, monitoramento de rede e outras técnicas. Isso ajudará a garantir que as conversas sejam seguras e protegidas.

 

Além disso, é fundamental educar os funcionários sobre os riscos de segurança e treiná-los para seguirem as melhores práticas, como não clicar em links suspeitos, não compartilhar senhas ou informações. Combinando essas medidas de segurança com o uso de tecnologias avançadas de proteção digital, é possível usar novos sistemas como o ChatGPT sem colocar as empresas em risco. Como dizia Steve Jobs, a tecnologia move o mundo. Porém, precisamos nos proteger para aproveitar na plenitude.

 

*Lucas Pereira é Diretor de Produtos da Blockbit

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