Brasil registra alta de 55% em ataques cibernéticos e supera média global

Enquanto pressão cibernética mundial avançou 17%, organizações brasileiras enfrentam média recorde de 3.685 tentativas de invasão por semana

Compartilhar:

Um novo levantamento da Check Point Research revela que o Brasil iniciou 2026 com o maior índice de crescimento de ataques cibernéticos na América Latina. Em janeiro, as organizações no país sofreram, em média, 3.685 ataques semanais, um salto de 55% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Globalmente, a média de ataques subiu 17%, com instituições enfrentando 2.090 tentativas semanais, cenário que é impulsionado pela intensificação do ransomware e pelo uso descontrolado de Inteligência Artificial generativa. 

  

“Os dados mostram que os ataques não estão apenas aumentando, mas tornando-se mais refinados e oportunistas”, afirma Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research. Segundo o executivo, o uso não gerenciado de IA generativa está criando novos pontos cegos. O relatório indica que um em cada 30 prompts de IA enviados por redes corporativas apresenta risco significativo de exposição de dados sensíveis, impactando 93% das empresas que utilizam essas ferramentas. 

  

As organizações utilizam, em média, dez ferramentas diferentes de IA por mês, muitas operando fora de estruturas de governança, o que aumenta a probabilidade de vazamento de documentos internos, códigos-fonte e dados de clientes. No cenário global por setores, a Educação segue como o alvo preferencial (4.364 ataques semanais), seguida por órgãos governamentais e pelo setor de telecomunicações, que subiu para a terceira posição refletindo o interesse criminoso em infraestruturas 5G. 

  

Regionalmente, a América Latina lidera os volumes de ataques no mundo, com média de 3.110 incidentes semanais por organização (+33%). O ransomware continua sendo a ameaça mais destrutiva: em janeiro, foram reportados 678 incidentes públicos, uma alta de 10% ano a ano. A América do Norte concentrou 52% dos casos, seguida pela Europa com 24%. Os principais grupos de extorsão no período foram Qilin (15%), LockBit (12%) e Akira (9%). 

  

Entre os setores mais afetados pelo ransomware, Serviços Empresariais (33%) e Bens de Consumo (15%) lideram a lista de vítimas. “A prevenção em primeiro lugar, com proteção em tempo real impulsionada por IA, é a única forma eficaz de interromper ataques antes que causem danos operacionais”, conclui Dembinsky. No Brasil, o crescimento acentuado reforça a urgência de fortalecer controles preventivos diante de uma criminalidade digital que opera em escala industrial.

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Pesquisa detecta primeiro malware para Android que usa IA generativa para evitar remoção

Batizado de PromptSpy, vírus utiliza o Gemini (Google) para interpretar a tela do celular em tempo real e receber instruções...
Security Report | Overview

Aumento dos agentes de IA reforça demanda por Zero Trust, aponta estudo

Novo relatório Cyber Pulse, da Microsoft, alerta para riscos de Segurança com agentes de IA operando em 80% das empresas...
Security Report | Overview

72 minutos: Pesquisa mostra aceleração no crime digital

Relatório Global de 2026 revela que 25% dos ataques mais rápidos roubaram dados em 72 minutos e 87% das invasões...
Security Report | Overview

Dados e nuvem são os pilares da resiliência financeira em 2026?

Integração, governança e cloud híbrida sustentam as operações críticas do setor, conforme analisa especialista do mercado de SI