As violações de políticas de dados downstream tornaram-se o segundo tipo mais comum de incidente relacionado à Inteligência Artificial nas empresas, representando quase um em cada dez alertas. O Netskope AI Report: 2026 aponta que a frequência desse vazamento, quando um sistema de IA retorna informações que o usuário ou agente não deveria acessar, mais que dobrou no último ano, subindo de 12 para 31 ocorrências semanais por organização.
Esse crescimento é impulsionado pela rápida adoção do Model Context Protocol (MCP), padrão aberto que conecta modelos e agentes de IA a fontes de dados externas. Em apenas dez semanas, o número de usuários acessando servidores MCP remotos cresceu 250%, enquanto as transações saltaram 375%. A integração amplia a capacidade operacional dos sistemas, mas eleva os riscos de exposição indevida de dados sensíveis.
No Brasil, a adoção corporativa de IA acompanha o ritmo global, com 88% das empresas utilizando plataformas da tecnologia e 79% aplicando agentes no desenvolvimento de software. Por outro lado, a adoção agêntica no país ainda está em estágio inicial: o crescimento simultâneo de usuários (233%) e transações via MCP (226%) indica que o uso local permanece predominantemente humano, ao contrário do cenário global dominado por agentes autônomos.
As violações upstream, que ocorrem no envio de dados confidenciais para aplicações de IA, continuam liderando o ranking de riscos e respondem por 8.752 de cada 10 mil alertas. O relatório destaca ainda outros incidentes frequentes em ambientes corporativos, como falhas na filtragem de conteúdo, ataques de prompt injection, tentativas de jailbreaking e solicitações deliberadas por informações protegidas.
O estudo indica que a Shadow AI deve se consolidar no ambiente de trabalho: atualmente, 44% dos colaboradores utilizam aplicações de IA pessoais para tarefas profissionais. A tendência estabilizou-se após uma leve reversão em março de 2026, sinalizando que as organizações estão preferindo implementar mecanismos de governança sobre o uso de ferramentas pessoais em vez de proibir o acesso.
Paralelamente, o ecossistema corporativo registra aumento expressivo no volume médio de prompts e avanço de 84% no uso de soluções para desenvolvimento de código, com destaque para Claude Code, Codex e Ollama. O cenário também é marcado pelo crescimento de ameaças direcionadas aos usuários, como instaladores falsos de IA, páginas de phishing e ferramentas com trojans.
“O Brasil avança rapidamente na adoção da IA corporativa e entra em uma nova fase, com agentes integrados às rotinas e aos dados internos. Esse movimento amplia as possibilidades de negócio, mas exige evolução na proteção da informação. Não basta monitorar os dados enviados; é preciso garantir que as respostas geradas respeitem as políticas de acesso e não exponham dados sensíveis a pessoas ou agentes não autorizados”, afirma Claudio Bannwart, country manager da Netskope no Brasil.