Atividade de bots maliciosos com IA cresceu 300% globalmente, aponta estudo

Análise projeta adoção crescente de agentes de IA, fraudes com deepfakes em tempo real e pressão sobre a infraestrutura dos serviços online

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De acordo com a Akamai, 2026 marcará um período de mudanças significativas na forma como as empresas e pessoas usam a internet, impulsionados pelos avanços na inteligência artificial. No Brasil, esse processo ocorre em um contexto sensível — com as eleições presidenciais — e tende a ampliar os riscos digitais, com ataques mais sofisticados e maior pressão sobre a infraestrutura que mantém os serviços online.

Dados do Fraud and Abuse Report 2025 da empresa indicam que essa mudança já está acontecendo. Em apenas um ano, a atividade de bots alimentados por Inteligência Artificial cresceu 300% globalmente, mostrando uma mudança profunda na dinâmica do tráfego digital, no perfil das ameaças e em como a internet é consumida e explorada.

 

Bobby Blumofe, EVP & Chief Technology Officer da Akamai, compartilha previsões sobre o impacto da inteligência artificial em 2026:

 

Agentes de IA devem redefinir a experiência de uso da internet

A adoção de agentes de inteligência artificial tende a alterar a forma tradicional de navegação. Em vez de acessar páginas, links e formulários, usuários passarão a interagir com sistemas capazes de antecipar necessidades e executar tarefas de forma autônoma, como buscar informações, comparar serviços ou realizar transações. Esse modelo não será o fim da web, mas uma reconfiguração de sua arquitetura, com impactos diretos sobre como conteúdos são descobertos, distribuídos e protegidos.

 

O modelo tradicional de busca perde centralidade

Ferramentas baseadas em IA passam a ser usadas como ponto de partida para acessar informações na internet, reduzindo a centralidade do modelo de pesquisa e navegação por cliques. Esse novo modelo diminui a previsibilidade do tráfego e altera a relação entre usuários, marcas e plataformas digitais. Para empresas, a mudança exige a revisão de estratégias de presença online.

 

IA corporativa entra em fase de correção após um ciclo de “workslop”

Falou-se muito sobre IA corporativa em 2025, mas os resultados ficaram abaixo do esperado e grande parte do que foi produzido acabou sendo conteúdo de pouco ou nenhum valor, o chamado workslop. Em 2026, as empresas tendem a avançar para modelos de linguagem especializados e aplicações de IA integradas a ferramentas específicas por setor, focadas na resolução de problemas reais de negócio.

 

Deepfakes em tempo real ampliam riscos 

O avanço de tecnologias de clonagem de voz, geração de imagens e sincronização de vídeo deve viabilizar o uso de deepfakes em tempo real e de forma cada vez mais convincente. Em ano de eleições presidenciais no Brasil, esse tipo de recurso tende a intensificar riscos associados à desinformação em transmissões, entrevistas, pronunciamentos públicos, debates e reuniões virtuais.

 

Cibercriminosos passam a mirar empresas com uso intensivo de IA

O uso de inteligência artificial por grupos criminosos também deve se intensificar no ambiente corporativo. Grande parte da automação já está associada a fraudes, testes de credenciais roubadas, manipulação de preços e criação de identidades falsas. O motivo disso é simples: o retorno financeiro obtido com usuários é limitado, enquanto empresas de grande porte oferecem alvos muito mais lucrativos.

 

Infraestrutura digital enfrenta mais pressão

O crescimento do tráfego automatizado, somado à demanda de aplicações baseadas em IA, impõe uma pressão sobre a infraestrutura digital. Cabos submarinos, data centers, plataformas de nuvem e sistemas de interconexão concentram volumes cada vez maiores de dados e operações críticas. O acúmulo dessas cargas eleva o risco de interrupções com impactos econômicos relevantes, afetando setores como serviços financeiros, comércio eletrônico, comunicações e serviços públicos.

 

Para 2026, o principal desafio será conciliar o avanço da inteligência artificial com estratégias mais robustas de segurança, governança e resiliência da infraestrutura. A automação já opera em escala industrial, exigindo das organizações uma abordagem mais sofisticada para distinguir atividades legítimas de comportamentos maliciosos.

 

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