Apagão na Europa: serviços foram restabelecidos, mas causas seguem incertas

Após horas no escuro, europeus enfrentam um novo desafio: entender o que realmente aconteceu no apagão que parou três países. Autoridades não afirmaram ataques cibernéticos, mas investigações seguem em curso

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Acordar nesta terça-feira (29) com luz, internet e alguma estabilidade parece, para muitos, uma conquista. Na última segunda (28), o cotidiano europeu foi abruptamente interrompido por um apagão de grandes proporções que afetou milhões de pessoas na Península Ibérica e no sul da França. “Em apenas cinco segundos, desapareceram do sistema 15 gigawatts de energia, ou seja, 60% da eletricidade que era consumida. Cinco segundos foram suficientes para mandar o sistema energético abaixo e causar o caos”, afirmou o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em coletiva de imprensa na manhã de terça-feira.

 

As causas desse apagão ainda são desconhecidas e as autoridades seguem na investigação. “Não descartamos nenhuma hipótese. Não sabemos as causas”, assumiu Pedro Sánchez. A empresa espanhola Red Eléctrica também afastou a hipótese de que o apagão que afetou Portugal e Espanha tenha resultado de um ataque cibernético. A confirmação foi feita por Eduardo Prieto, diretor dos Serviços de Operação da REE, durante uma coletiva de imprensa.

 

O Centro Nacional de Cibersegurança de Portugal também reforçou que, até o momento, não foram identificados indícios que apontem para um ciberataque. “Chamamos a atenção para a circulação de desinformação que ocorre nestas situações pelo que aconselhamos consulta ou a confirmação de informação junto de fontes fidedignas”, afirmou em comunicado.

 

Fake news

Em meio ao caos, uma onda de desinformação inundou as redes sociais como o WhatsApp e o TikTok com compartilhamentos de fake news. Por exemplo, um texto atribuído à CNN, aparentemente assinado por Bruxelas, apontava “grupos russos apoiados pelo Estado” como responsáveis por um suposto ciberataque que teria atingido 15 países europeus. A própria CNN Portugal desmentiu a informação. Outra narrativa difundida pela agência Reuters afirmava que o “apagão” era causado por um “fenômeno atmosférico raro”, aparentemente chamado “vibração atmosférica induzida”.  Mais tarde, a agência de notícias retificou o erro.

 

Ao longo do dia, o que se seguiu foram horas de incerteza, medo e isolamento. Sem internet e sem energia, restou o rádio como único elo de comunicação. A teoria de um ataque cibernético russo correu entre vizinhos e o medo da guerra emergiu como sombra real. Com escolas, bancos e aeroportos fechados, ruas sem semáforos e prédios sem água, o medo de uma guerra fez com que cidadãos portugueses corressem para os supermercados abertos com o intuito de estocar alimentos. Atrelaram o caos a uma recomendação da União Europeia dias antes da importância de estocar comida diante de acontecimentos adversos que poderiam parar o abastecimento, sejam eles impactos climáticos ou cibernéticos.

 

Na ausência de respostas concretas, o que resta é refletir sobre a fragilidade das infraestruturas e a dependência absoluta da energia e da conectividade. Um incidente como este, ainda que não confirmado como ciberataque, mostra a extensão do impacto que uma eventual ação coordenada poderia causar.

 

As investigações seguem em curso e o juiz do Tribunal Nacional espanhol, José Luis Calama, anunciou nesta manhã ter iniciado uma investigação preliminar para apurar se o apagão da rede elétrica espanhola pode ter sido um ciberataque às infraestruturas críticas espanholas. “Caso se comprovasse esse cenário, o ato constituiria um crime de terrorismo”, concluiu.

 

*Com informações da CNN Portugal, Expresso e Sapo.pt

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