Análise orienta como promover soberania e Segurança na era da cloud

Especialista aborda o papel das infraestruturas críticas do Estado e defende critérios próprios de validação e governança para projetos soberanos

Compartilhar:

Discutir padrões de qualidade em data centers não se resume apenas a selos, certificados ou camadas técnicas. É, antes de tudo, refletir sobre soberania digital e a maturidade do Estado brasileiro na proteção dos seus próprios dados”. A afirmação é de Tiago Sell Iahn, superintendente de Segurança da Informação do Serpro, que procura fazer um chamado à reflexão nessa área.

 

O relatório aponta que com o avanço das nuvens públicas, porém, essa noção se tornou difusa. “Houve uma adoção desenfreada de nuvem por parte dos órgãos públicos. Será que as análises de risco acompanharam esse movimento?”, questiona. Para ele, o resultado foi um enfraquecimento momentâneo da ideia de soberania, que agora precisa ser resgatada e atualizada.

 

“O cenário geopolítico reacendeu essa chama da soberania. Ela nunca foi apagada, mas agora está mais viva com tudo que a gente tem visto em todos os continentes”, afirma. Ele cita o movimento internacional em torno das nuvens soberanas, com destaque para a Europa, e lembra que o Serpro já desponta na frente. “Estamos construindo a Nuvem de Governo Soberana e isso é mais do que cumprir uma norma. É garantir independência tecnológica e proteger as infraestruturas críticas digitais do país”, destaca.

 

O especialista afirma que o diferencial desse novo tipo de nuvem não se trata apenas de ter os dados dentro do território nacional. É preciso garantir que não haja atuação de agentes externos sobre essa infraestrutura. Nesse novo modelo, mesmo contando com infraestruturas de grandes empresas de tecnologia, esses recursos estão instalados dentro de data centers próprios, em projetos isolados e controlados. “Esses ambientes são desconectados das redes públicas das Big Techs. Se amanhã ocorrer alguma disputa comercial, elas continuam funcionando dentro do Serpro, com vida útil própria e contratos sob controle estatal”, explica.

 

O superintendente pontua que a criptografia de Estado, por exemplo, não é necessariamente certificada internacionalmente. É validada por seus próprios matemáticos, dentro de um regime de confiança nacional. Para ele, a soberania exige também um olhar diferenciado sobre como validar e auditar o que é público, estratégico e inovador. “O olhar para esses projetos soberanos talvez precise ser um pouco diferenciado. Pensar em melhores práticas, pensar em due diligence e outras abordagens que não só os aspectos de certificação”, entende.

 

O debate, segundo Tiago, não é apenas técnico. É cultural. Ele cita um levantamento de alguns anos que apontava mais de 140 data centers só na Esplanada dos Ministérios. “Quantos deles têm a qualidade e o padrão que discutimos aqui hoje?”, questiona. Em contraste, o Serpro mantém estruturas certificadas, com espaço para colocation e data centers Tier III, aptos a hospedar sistemas críticos do governo federal.

Mas, mesmo com tecnologia de ponta disponível, o problema continua sendo o comportamento, segundo o especialista. Para Tiago, segurança da informação é um exercício diário de cultura e disciplina. Segundo ele, os recursos normalmente estão ao alcance de todos, mas é preciso usá-los de forma responsável. “Falta conscientização de quem os utiliza para que o uso seja realmente voltado ao benefício do cidadão”, completa.

 

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

 Gartner revela que 90% dos conselheiros não confiam no valor da Cibersegurança

Estudo reforça que ceticismo dos membros dos boards em relação ao valor da segurança cibernética é um catalisador para a...
Security Report | Overview

Pesquisa: Brasil registra alta de 14% nos ciberataques em comparativo anual

Relatório  apontou uma média global de 2.003 ciberataques semanais por organização em novembro, enquanto o Brasil disparou para 3.348; outro...
Security Report | Overview

Pesquisa: Vulnerabilidades de novembro expõem riscos em plataformas digitais

Relatório aponta que atividades de exploração ativa, campanhas de espionagem e falhas em ferramentas corporativas reforçam a necessidade de atenção...
Security Report | Overview

Estudo prevê as principais tendências para o cenário de fraudes em 2026

Estudo prevê que, em 2026, identidades sintéticas impulsionadas por IA, fraudes profissionalizadas e redes sofisticadas de “mulas de dinheiro” vão...