América Latina puxa investimentos globais de SI para US$ 308 bilhões em 2026

O IDC publicou suas estimativas para os investimentos globais na Cibersegurança e detectou um aumento de 11,8% no apanhado de ano a ano, tendo nos países latino-americanos o segundo conjunto com maior aceleração desses recursos. O aumento de ciberataques e riscos gerados por Inteligência Artificial, riscos geopolíticos e operações patrocinadas por Estados-Nação também devem manter esse índice em crescimento

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A projeção de gastos globais focados em Cibersegurança é de $308 bilhões em 2026, em um crescimento de 11,8% em comparação ao ano passado. Os números, gerados por análise do IDC, se justificam pelo salto em investimentos em proteção em regiões como a América Latina e direcionada por Inteligência Artificial contra ameaças que também se baseiem nessa tecnologia.

 

Os dados foram apresentados no estudo “Worldwide Security Spending Guide”, e reforçam que os países latino-americanos representam a segunda região com maior crescimento em gastos de Cibersegurança a nível global em 2026, com o Brasil atuando como âncora primária de investimentos. Segundo aponta Stefano Perini, Gerente de Pesquisa em Mercado e Indústria do IDC, Essa posição se justifica pela rápida adoção de cloud, digitalização do poder público e expansão em escala da infraestrutura de pagamentos digitais.

 

Todavia, Perini alerta que o crescimento dos investimentos globais não significam, necessariamente, um aumento na maturidade cibernética da região ou do mundo. “Maturidade genuína é construída, em especial, a partir da tradução desses recursos em soluções mais integradas e estratégias condizentes com as demandas dos negócios, em um contexto em que a era da IA se faz presente”, aponta ele, em entrevista à Security Report.

 

Dado esse contexto, abre-se uma janela de oportunidade para que os CISOs e Líderes de Cibersegurança demonstrem aos boards que mudanças negativas nos investimentos tendem a criar riscos reputacionais e competitivos que as empresas não podem mais ignorar. Com a superfície de ataque entre grandes verticais se convergindo e novas regulamentações sendo aprovadas, a SI se tornou peça-chave para a geração de valor dos negócios.

 

Portanto, ampliar as atividades sobre estratégias de proteção da IA e de Zero Trust permitirão às empresas evoluírem seus planos e ações inovadores de forma protegida, adicionando mais diferenciais competitivos diante dos concorrentes. A tendência é de que os planejamentos de Segurança priorizarão cada vez mais a resiliência operacional e uma redução mensurável de riscos cibernéticos das organizações.

 

“Os CISOs devem basear as discussões em riscos comerciais quantificados — exposição regulatória, continuidade operacional e custos de incidentes — em vez de requisitos puramente técnicos. A própria taxa de crescimento do mercado de Segurança de alto nível torna-se um instrumento de negociação para contextualizar as solicitações orçamentárias em relação ao que organizações semelhantes, em diversos setores e regiões, estão comprovadamente investindo”, afirma Perini.

 

IA e pressão regulatória

A análise reforça também que o mercado global de Cyber seguirá marcado por ameaças impulsionadas pela Inteligência Artificial e pela crescente complexidade dos ataques cibernéticos, o que leva as empresas a investir mais em soluções avançadas de Segurança. As tensões geopolíticas e as operações cibernéticas patrocinadas por Estados também estão intensificando os riscos e impulsionando os gastos com proteção além das fronteiras.

 

Nesse contexto, o aumento contínuo das ameaças cibernéticas e da pressão regulatória continuará a impulsionar a demanda global por recursos de Segurança Cibernética resilientes, soberanos e em conformidade com as normas. Segundo o IDC, isso deverá levar a um crescimento relativamente constantes nesse investimento, podendo atingir a marca de US$ 430 bilhões até 2029.

 

“As organizações estão deixando de lado as ferramentas de Segurança isoladas para adotar arquiteturas orientadas por inteligência de máquina. Isso será especialmente percebido em setores sociais críticos, tal qual Serviços financeiros, Indústria, setores governamentais e Saúde”, conclui Monika Soltysik, Analista Sênior de Pesquisa em Segurança e Confiança do IDC.

 

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