A Cisco divulgou na última semana os resultados do Data and Privacy Benchmark Study 2026, revelando uma mudança estrutural na forma como as organizações abordam a privacidade e a governança. Com a aceleração da adoção de IA, quase todas as empresas estão ampliando seus programas para proteger dados e inovar em escala. No Brasil, esse movimento é ainda mais intenso: 95% das organizações relatam ter expandido essas iniciativas, superando a média global de 90%.
O estudo, que ouviu 5.200 profissionais em 12 países, incluindo o Brasil, destaca um salto expressivo nos aportes financeiros. Em 2025, 38% das organizações globais gastaram ao menos US$ 5 milhões em seus programas de privacidade, um salto considerável frente aos 14% registrados em 2024. No Brasil, 31% das empresas já atingiram esse patamar de investimento, evidenciando que a privacidade e a governança de dados se tornaram pilares fundamentais para o sucesso das estratégias de IA.
A IA eleva o nível de exigência, mas a governança ainda está em fase de evolução, no Brasil, 98% das organizações acreditam que estruturas robustas de privacidade viabilizam a inovação, enquanto 97% reconhecem que elas são essenciais para construir a confiança dos clientes. Contudo, embora 3 em cada 4 empresas no mundo afirmem ter um órgão dedicado à governança de IA, apenas 12% consideram essas estruturas maduras (número que chega a 20% no Brasil).
Um dos principais obstáculos é a qualidade dos insumos: 73% das empresas no Brasil enfrentam dificuldades para acessar dados relevantes de forma eficiente. “A IA exige uma governança holística de todos os dados, pessoais e não pessoais”, afirma Jen Yokoyama, vice-presidente sênior de Inovação Jurídica da Cisco. Para a executiva, as organizações precisam compreender profundamente seus dados para garantir que toda decisão automatizada seja explicável, transformando o compliance em um motor de inovação.
O estudo também identifica desafios nos fluxos globais, embora 88% das organizações no Brasil enfrentem maior demanda por localização de dados, 85% afirmam que essa exigência aumenta custos e complexidade na prestação de serviços internacionais. Para 77% dos entrevistados brasileiros, as restrições geográficas limitam a capacidade de oferecer serviços contínuos entre diferentes mercados, o que gera uma defesa crescente por regras internacionais mais harmônicas.
“Para aproveitar todo o potencial da IA, as organizações defendem uma mudança em direção a padrões internacionais harmonizados”, diz Harvey Jang, vice-presidente e diretor de privacidade (CPO) da Cisco. Segundo o executivo, a consistência global é uma necessidade econômica para garantir que os dados fluam de forma segura. O estudo conclui que a transparência e a capacitação das equipes são fundamentais para construir uma confiança duradoura e prosperar na economia digital orientada por IA.