69% dos funcionários brasileiros arriscam conscientemente a SI das organizações em que trabalham

Segundo relatório da Proofpoint, existe uma lacuna entre as limitações da tecnologia de segurança individual e a educação dos usuários

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A Proofpoint divulgou seu décimo relatório anual State of the Phish, revelando que mais de dois terços (69%) dos trabalhadores brasileiros colocam conscientemente suas organizações em risco, potencialmente levando a infecções por ransomware ou malware, violações de dados ou perdas financeiras. Embora a incidência de ataques de phishing bem-sucedidos, tanto globalmente quanto no Brasil, tenha diminuído ligeiramente, 66% das organizações pesquisadas no Brasil sofreram pelo menos um ataque bem-sucedido em 2023, contra 78% no ano anterior. As consequências negativas cresceram com aumento de 18% nos relatos  de penalidades financeiras, como multas regulatórias.

 

As conclusões do relatório deste ano desafiam a crença de que as pessoas tomam ações arriscadas devido à falta de conhecimentos sobre segurança cibernética e que a formação em sensibilização para a segurança, por si só, pode prevenir totalmente comportamentos arriscados. O dilema estende-se à crença dos profissionais de segurança de que a maioria dos funcionários sabe que é responsável pela proteção da organização, sinalizando uma lacuna entre as limitações da tecnologia de segurança individual e a educação dos usuários.

 

“Os cibercriminosos sabem que os seres humanos podem ser facilmente explorados, seja por negligência, comprometimento da identidade ou, em alguns casos, por intenção maliciosa”, disse Ryan Kalember, diretor de estratégia da Proofpoint. “Os indivíduos desempenham um papel central na postura de segurança de uma organização, com 74% das violações ainda centradas no elemento humano. Embora a promoção da cultura de segurança seja importante, a formação por si só não é uma solução milagrosa. Saber o que fazer e colocar em prática são duas coisas diferentes. O desafio agora não é apenas a conscientização, mas a mudança de comportamento.”

 

O relatório State of the Phish deste ano fornece uma visão geral aprofundada do cenário atual de ameaças, em que IA generativa, códigos QR e autenticação multifatorial (MFA) são explorados por agentes mal-intencionados, conforme obtido pela telemetria da Proofpoint de mais de 2,8 trilhões de e-mails digitalizados em 230 mil organizações em todo o mundo, bem como descobertas de 183 milhões de ataques de phishing simulados enviados durante um período de doze meses. O relatório também examina as percepções de 7.500 funcionários e 1.050 profissionais de segurança em 15 países, incluindo o Brasil.

 

“No estudo, podemos observar como os hackers  estão encontrando novas maneiras de aproveitar  a busca das pessoas  por velocidade e conveniência. Também temos um panorama do estado atual das iniciativas de conscientização sobre segurança”, destaca Rogério Morais, vice-presidente da América Latina e Caribe.

 

As principais conclusões do relatório sobre o Brasil são:

 

Mesmo conscientes sobre segurança, os funcionários ainda persistem em tomar ações arriscadas : 72% dos trabalhadores entrevistados no Brasil admitiram ter tomado ações arriscadas, como reutilizar ou compartilhar uma senha, clicar em links de remetentes desconhecidos ou entregar suas credenciais a alguém não confiável.  96% deles tiveram essas atitudes sabendo dos riscos inerentes envolvidos, o que significa que 69% dos funcionários minaram voluntariamente a segurança da sua organização. As motivações por trás de ações arriscadas são variadas, com a maioria dos funcionários citando o senso de urgência (38%), o desejo de economizar tempo (36%) e a conveniência (20%) como principais motivos.

 

Desconexão entre equipes de TI e funcionários para promover mudanças reais de comportamento: embora 94% dos profissionais de segurança pesquisados no Brasil tenham afirmado que a maioria dos funcionários sabe que são responsáveis pela segurança, 53% dos funcionários pesquisados não tinham certeza ou alegaram que não eram responsáveis. Ainda que praticamente todos os funcionários que tomaram medidas arriscadas conhecessem os riscos inerentes – uma indicação clara de que a formação em segurança está funcionando para consciencializar os funcionários – existem disparidades claras entre o que os profissionais de segurança e os funcionários consideram eficaz para encorajar mudanças de comportamento. Os profissionais de segurança brasileiros acreditam que mais treinamento (93%) e controles mais rígidos (82%) são a resposta, mas quase todos os funcionários entrevistados (87%) disseram que priorizariam a segurança se os controles fossem simplificados e mais fáceis de usar.

 

A MFA continua fornecendo uma falsa sensação de segurança, deixando as empresas expostas: mais de um milhão de ataques em todo o mundo são lançados com a estrutura de desvio de MFA EvilProxy todos os meses, mas 94% dos profissionais de segurança no Brasil ainda acreditam que a MFA fornece proteção completa contra o controle de contas.

 

Os ataques de comprometimento de e-mail comercial (BEC) se beneficiam da IA: menos organizações relataram tentativas de fraude por e-mail em todo o mundo, mas o volume de ataques cresceu em países como o Brasil (aumento de 21%), Japão (35%), Coreia do Sul (31%) e Emirados Árabes Unidos (29%). Esses países podem ter visto anteriormente menos ataques BEC devido a barreiras culturais ou linguísticas, mas a IA generativa permite que os atacantes criem e-mails mais convincentes e personalizados em vários idiomas. A Proofpoint detecta uma média de 66 milhões de ataques BEC direcionados em todo o mundo todos os meses.

 

A extorsão cibernética persiste como forma lucrativa de ataque: 60% das organizações no Brasil sofreram uma infecção de ransomware bem-sucedida no ano passado (um aumento de 14 pontos percentuais em relação a 2022); o que é alarmante é que 67% dos profissionais de TI disseram que suas organizações sofreram diversas infecções de ransomware separadas. Das organizações afetadas pelo ransomware, 63% concordaram em pagar aos invasores (contra 91% em 2022), com apenas 58% recuperando o acesso aos seus dados após um único pagamento (contra 71% há um ano).

 

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