Série de roubos cibernéticos utiliza técnica já existente em malware brasileiro

Assim como o Prilex, ataque foi criado para acessar remotamente a rede corporativa de, pelo menos, oito bancos na Europa Oriental. A sofisticação do ataque dificulta a detecção do malware, que já gerou dezenas de milhões de dólares em prejuízos

Compartilhar:

Ao longo de 2017 e 2018, os especialistas de segurança trabalharam na resposta a incidentes de uma série de roubos cibernéticos que visavam organizações financeiras na Europa Oriental. Os pesquisadores descobriram que, em todos os casos, a rede corporativa havia sido violada por meio de dispositivos desconhecidos controlados pelos invasores e que tinham sido contrabandeados para os prédios das empresas e conectados às suas redes internas. Até o momento, pelo menos oito bancos foram atacados desta forma e os prejuízos são estimados em dezenas de milhões de dólares.

 

Os cibercriminosos usaram três tipos de dispositivos: um laptop, um Raspberry Pi (computador de placa única, do tamanho de um cartão de crédito) ou um Bash Bunny (ferramenta especialmente projetada para automatizar e realizar ataques via USB), equipado com um modem GPRS, 3G – ou 4G -, que permitiu que os invasores penetrassem remotamente na rede corporativa da organização financeira.

 

Uma vez estabelecida a conexão, os cibercriminosos tentaram acessar os servidores web para roubar os dados de que precisavam para executar o RDP (protocolo para área de trabalho remoto) em um computador específico para depois se apropriarem do dinheiro ou dados sensíveis. Este método de ataque sem arquivo incluía o uso de kits de ferramentas de execução remota Impacket, winexesvc.exe ou psexec.exe. Na fase final, os criminosos usaram o software de controle remoto para manter aberto o acesso ao computador infectado.

 

“No último ano e meio, temos observado um tipo completamente novo de ataques a bancos, bastante sofisticado e complexo em termos de detecção. O ponto de entrada para a rede corporativa permaneceu desconhecido por muito tempo, já que poderia estar localizado em qualquer escritório em qualquer região. Esses dispositivos desconhecidos, contrabandeados e escondidos por intrusos, não podiam ser encontrados remotamente. Além disso, o grupo especializado por trás deste APT usava utilitários e/ou aplicativos legítimos, o que complicou ainda mais a resposta aos incidentes”, diz Sergey Golovanov, especialista em segurança da Kaspersky Lab.

 

Esta técnica não é novidade na América Latina, que desde 2014 enfrenta o Prilex, golpe que começou atacando caixas eletrônicos e depois evoluiu para roubar cartões de crédito protegidos por senha e chip via sistemas de ponto de venda (POV). Segundo Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab na América Latina, o malware brasileiro utiliza um blackbox e um modem 3G para viabilizar os ataques aos caixas eletrônicos. “Ataques de blackbox têm se tornado cada vez mais comuns contra grandes e médias empresas. Eles exploram falhas na segurança física e pontos de redes expostos, que possibilitam um ataque que comprometerá o ambiente digital da empresa, no melhor estilo “Mr. Robot”. Sua detecção é difícil, mas não é impossível. As empresas têm que investir em inventário de hardware e controle de dispositivos conectados à rede, a fim de diminuir o “shadow IT”, além de adotar outras boas práticas de segurança”, explica o analista.

 

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

NVIDIA reforça parceria de Segurança em infraestruturas de IA

Integração entre ferramentas da CHeck Point Software e tecnologias NVIDIA fortalece a Segurança de LLMs privados, infraestruturas distribuídas e operações...
Security Report | Overview

Governança de identidade se tornou decisão de negócio?

Durante Painel de Debates movido no Redbelt Security EXPAND, Líderes de Segurança debateram o papel da relação com o business...
Security Report | Overview

22 segundos é a nova velocidade do ataque cibernético, segundo relatório

A Redbelt Security apresentou o dado na 5ª edição do EXPAND, que ainda ressaltou o vetor de entrada mais comum...
Security Report | Overview

Roubo de contas no Instagram expõe riscos de autonomia da IA?

Possível invasão de contas do Instagram por meio de chatbot de suporte com IA reforça riscos de delegação excessiva de...