O grande desafio na relação da Cibersegurança com a própria empresa não se resume apenas ao orçamento, e esse reducionismo é o que faz com que o setor não alcance a respeitabilidade necessária para fazer o seu trabalho. Essa visão foi apresentada durante o Keynote de Abertura do Security Leaders Rio de Janeiro, conduzida pelo Superintendente de TI da Icatu Seguros, Renan Huguenin, que defendeu o papel da SI na geração de novos negócios.
Conforme o executivo explica, o setor ainda atua segundo padrões antiquados de relacionamento com a organização, direcionado frequentemente em bloquear inovações, restringir atividades, impedir mudanças e se rotular como o “departamento do não”. Nesse sentido, a SI consolidou uma reputação de fricção, burocracia e, o mais importante, de custos à mais para a organização. Esse contexto, segundo Huguenin, precisa mudar.
“Precisamos parar por um momento e prestar atenção se estamos fazendo a pergunta correta. É o board que não entende de Cibersegurança, ou somos nós que ainda não aprendemos a falar a linguagem do board? Talvez o caso seja de desenvolver nossa percepção a esse respeito e compreender se a Segurança está sendo acoplada às demandas que o negócio realmente tem”, acrescenta ele.
O executivo sugere que os atuais líderes de Cyber devem avançar rapidamente em uma escala de maturidade da própria posição da SI na empresa. Isso significa evoluir da ideia primária de proteger – focando a própria atividade em combater incidentes e reduzir riscos – para a geração de negócios, em um contexto de Cibersegurança como diferencial competitivo do business. Para ele, a ponte entre esses dois lados é a integração da Segurança com o produto.
Para que esse movimento ocorra de maneira sustentável, alguns fundamentos são essenciais tanto ao Líder de SI quanto à equipe, incluindo capacidade comunicativa e persuasiva, baseado em escuta ativa das demandas dos usuários, empatia e pensamento crítico sobre a realidade do negócio. Inteligência emocional, resiliência ante os desafios da inovação e adaptabilidade à diferentes cenários também são fundamentais nessa jornada.
Ainda segundo Huguenin, isso direciona o desenvolvimento de uma nova visão sobre a Cibersegurança, tanto entre os seus profissionais quanto do próprio negócio sobre esse setor. Para o Superintendente, a ideia é transformar o CISO em um arquiteto de confiança, capaz de se tornar o estrategista da credibilidade digital da empresa, abrindo portas para novas oportunidades de valor a partir de uma Segurança mais madura.
“Precisamos pensar diferente, tendo como foco principal viabilizar a confiança no meio digital. Nesse meio, a confiança funciona como a fundação de todo o valor corporativo, ao passo que, no meu caso, não vendo apólices de seguro ou planos previdenciários, mas sim a confiança dos clientes aposentados de que a marca não vai falhar no momento em que elas mais precisam”, disse o executivo.
Com isso, o maior obstáculo na priorização das demandas de Cyber não está na falta de recursos, mas na forma dela interagir com os objetivos do negócio. Segurança, para Huguenin, não pode se contentar em apenas proteger o ambiente digital, mas deve também gerar confiança e, por consequência, novos negócios. Isso torna a SI um diferencial competitivo da empresa.