GitHub sofreu maior ataque DDoS até agora, com 1,35 Tbps

Ataque contra a infraestrutura da plataforma de desenvolvimento de software utilizou servidores memcached, que mantém bancos de dados em memórias e possuem acesso a links de grande largura de banda; há fortes indícios de que o Brasil esteja na mira dessa ameaça

Compartilhar:

O maior ataque de negação de serviço até hoje registrado, de 1,35 Terabit por segundo, foi lançado com a utilização de servidores memcached contra a infraestrutura da plataforma de desenvolvimento de software GitHub no dia 28 de fevereiro. No dia anterior, a NETSCOUT Arbor alertava para o perigo desse tipo de ataque, inclusive no Brasil.

 

De acordo com estudo, a equipe técnica da companhia vinha observando um aumento significativo na utilização, para ataques DDoS (Distributed Denial of Service), de servidores memcached – que são empregados em data centers, hospedando banco de dados na memória, e não em disco, para maior rapidez de acesso a informações.

 

Como os servidores memcached normalmente contam com links de acesso de grande largura de banda e residem em redes de data centers com alta velocidade de tráfego, eles se prestam, por sua natureza, à utilização para reflexão/amplificação de ataques DDoS – uma técnica que permite multiplicar o tráfego malicioso sem que se possa identificar sua fonte.

 

O crescimento da utilização desses servidores como armas de ataque levou a equipe ASERT (Arbor Security Engineering & Response Team) da NETSCOUT Arbor a classificar como “crítica” sua gravidade.

 

No Brasil, a NETSCOUT Arbor vem observando, desde o dia 16 de fevereiro, um aumento do tráfego memcached, com crescimento súbito no dia 25 de fevereiro e com tendência de alta para março. Esse comportamento indica a criação e crescimento de botnets que usam memcached para amplificação. E se parece com o detectado meses antes de um grande evento esportivo no Rio de Janeiro, em 2016, que culminou em ataques potentes durante o evento.

 

“Tudo indica que uma botnet está sendo construída com servidores memcached no Brasil, o que levanta a hipótese de uma onda de ataques de alta volumetria para os próximos meses, com a realização em julho de um outro evento esportivo global, também expressivo, e com forte significado para empresas brasileiras”, comenta Kleber Carrielo, senior consulting engineer da NETSCOUT Arbor.

 

Na avaliação da companhia, os ataques DDoS de memcached, como acontece com a maioria das metodologias de ataque, foram inicialmente – e por um curto período – operados manualmente; tornaram-se, em seguida, amplamente disponíveis por meio de botnets de aluguel. As recomendações de defesa passam pela adoção das práticas consagradas no mercado para proteger os servidores memcached e para garantir medidas rápidas de mitigação.

 

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

22 segundos é a nova velocidade do ataque cibernético, segundo relatório

A Redbelt Security apresentou o dado na 5ª edição do EXPAND, que ainda ressaltou o vetor de entrada mais comum...
Security Report | Overview

Roubo de contas no Instagram expõe riscos de autonomia da IA?

Possível invasão de contas do Instagram por meio de chatbot de suporte com IA reforça riscos de delegação excessiva de...
Security Report | Overview

Técnica dos anos 60 é reutilizada para criar QR codes maliciosos, alerta pesquisa

Kaspersky identifica técnica que recria QR Codes usando apenas letras e símbolos de teclado, burlando proteções tradicionais que só buscam...
Security Report | Overview

Threat Intel detecta aumento de ataques direcionados à Copa do Mundo FIFA 2026

Setores financeiro, de transporte, hotelaria e apostas online estão entre os principais alvos dos cibercriminosos, aponta estudo da companhia