A evolução do sistema financeiro, impulsionada pela digitalização dos serviços, pela consolidação do Open Finance e pela expansão dos meios de pagamento instantâneos, tem colocado os dados no centro das estratégias das instituições. Em um ambiente de alto volume transacional, a circulação fluida dessas informações entre sistemas e parceiros tornou-se determinante para a eficiência e a confiança do mercado.
Para as instituições, o desafio vai além do armazenamento, necessário garantir fluxos bem estabelecidos, com rastreabilidade e proteção em todo o ciclo de vida dos dados. Esse desafio está diretamente ligado à adoção de serviços de nuvem capazes de suportar operações críticas sem comprometer requisitos regulatórios e de segurança.
Para Carlos Eduardo Maia, diretor de Cloud Solutions da TIVIT, empresa do grupo Almaviva, aa nuvem agora desempenha um papel estratégico na organização desses fluxos. “No setor financeiro, os dados circulam de forma contínua e sustentam decisões que precisam acontecer em milissegundos. Ter fluxos bem definidos e serviços de nuvem adequados à criticidade do negócio é essencial para garantir estabilidade, segurança e conformidade”, afirma o especialista.
Na prática, o fluxo inicia na captação de dados por canais como aplicativos, APIs, Open Finance e Pix. Antes de serem utilizados em processos como autorizações de transações, análise de risco e prevenção a fraudes, esses dados passam por validações automáticas relacionadas a KYC, AML e controles operacionais.
O processamento das instituições combina operações em tempo real com processos em batch para relatórios regulatórios. A persistência das informações ocorre conforme sua criticidade, equilibrando ambientes transacionais de alta disponibilidade com plataformas analíticas de Big Data e Inteligência Artificial.
Todo esse ciclo exige mecanismos robustos de rastreabilidade, trilhas de auditoria e políticas de retenção de dados, em conformidade com normas como a LGPD e as regulamentações do Banco Central. Nesse cenário, a governança dos dados se torna parte integrante da própria operação financeira.
“A arquitetura híbrida permite equilibrar controle regulatório e agilidade digital”, explica Maia. Segundo o executivo, o modelo viabiliza escala sem abrir mão da soberania dos dados e da continuidade operacional, pontos que são centrais para o setor financeiro.
Contudo, a maior circulação de dados amplia os riscos cibernéticos e os desafios de gestão de identidades. Falhas nesses pontos podem comprometer a reputação perante reguladores, especialmente com a evolução de normas como a Resolução BCB nº 4.893/2021 e o avanço das exigências do Open Finance.
“Fluxos de dados bem estruturados e o uso responsável da nuvem são hoje pré-requisitos. As instituições que investirem nessas bases estarão mais preparadas para sustentar a inovação de forma consistente”, conclui Maia.