Confiança na IA divide opiniões entre CEOs e CISOs

Enquanto Gartner prevê salto bilionário em gastos com IA na Cibersegurança (US$ 51 bilhões), em Davos, Fórum Econômico Mundial destaca uma diferença entre a percepção estratégica do board e a avaliação técnica do CISO, evidenciando desafios de governança, risco e maturidade no uso da Inteligência Artificial

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A Inteligência Artificial segue como um dos pontos mais debatidos entre C-Levels, principalmente na eficácia da sua aplicação e o quanto essas inovações podem evoluir de forma segura. De acordo com a pesquisa da Axis, divulgada pelo WEF em Davos, surge no horizonte um “paradoxo da preparação”: 67% dos CEOs confiam na IA para decisões de Cibersegurança, contra 58% dos CISOs.

 

Essa diferença de quase 10 pontos percentuais mostra que quem opera a Segurança é mais cético sobre as capacidades reais da tecnologia: apenas 19% dos CISOs acreditam que a IA fortalecerá significativamente suas defesas, contra quase 30% dos CEOs. Esse descompasso sugere que, enquanto o board vê a IA como uma resposta para a eficiência, quem opera a tecnologia enxerga uma nova e complexa superfície de ataque.

 

A necessidade de unificar esse discurso é urgente para que negócios destravem o potencial da IA sem ignorar os riscos de que ela se torne o principal vetor de ataques sofisticados. Os investimentos em IA dedicados exclusivamente para a Cibersegurança devem dobrar esse ano, atingindo US$ 51,3 bilhões em 2026, segundo o Gartner. O cenário defensivo evoluiu rapidamente, com 77% das empresas já utilizando a tecnologia para automação de respostas e combate ao phishing, de acordo com Global Cybersecurity Outlook 2026, do WEF.

 

Para 94% dos executivos ouvidos pelo WEF, a IA segue como o principal vetor de transformação na Segurança Cibernética. O desafio está em equilibrar inovação e governança: garantir modelos seguros, mitigar vieses e implementar controles robustos para evitar exposição de dados sensíveis.

 

Os especialistas ouvidos pelos relatórios apontam que o cenário para 2026 exige mais do que aportes bilionários em IA. O sucesso da inovação dependerá da capacidade das empresas em transformar o otimismo estratégico dos CEOs na competência técnica e pragmática dos CISOs, unificando a defesa em um ecossistema de ameaças cada vez mais automatizadas.

 

“Em um cenário de ataques cada vez mais sofisticados, a IA não é apenas uma ferramenta, é um divisor de águas que exige visão estratégica e colaboração multissetorial para assegurar resiliência digital”, completa o WEF.

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Rui Borges

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