Black Friday 2024: Governo e sociedade civil se mobilizam para proteger usuário de fraudes

Estudos recentes indicam que a data de promoções deste ano deverá atingir um novo recorde de transações, o que pode gerar um novo atrativo para ações cibercriminosas. Nesse sentido, especialistas e o governo federal promoveram alertas e orientações práticas para disseminar as boas práticas de consumo aos usuários

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A Black Friday, marcada para acontecer em todas as lojas nessa sexta-feira (29), é uma das datas mais importantes do ano para que consumidores promovam diversas compras a preços mais acessíveis, com os canais digitais assumindo papel crucial nesse processo. Da mesma forma, os diversos meios de golpes e fraudes financeiras devem crescer durante o período de compras, dado que é detectado por estudos promovidos pelo setor varejista.

 

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a edição de 2024 da data deve movimentar R$ 5,22 bilhões, registrando o maior volume de vendas desde 2021 e um crescimento real de 0,4% em relação ao ano passado. E em análise feita pelo marketplace OLX, os brasileiros sofreram um prejuízo de R$ 8,1 milhões durante a Black Friday de 2023, devido a golpes movidos por falsas promoções no ciberespaço.

 

Na visão da coordenadora do Núcleo de Contencioso Cível da Nelson Wilians Advogados, Bianca Lobo, usuários deverão preservar a cautela no momento de fazer compras online, seguindo padrões de ação estabelecidos em treinamentos corporativos de proteção de acessos, suspeita de propostas muito urgentes e tentadoras, além de outros métodos frequentemente utilizados em campanhas de phishing.

 

“Além de observar comentários de outros compradores e consultar sites de reclamação, é fundamental que o consumidor busque pelas páginas oficiais das marcas ou de seus distribuidores, seja nos websites, redes sociais ou marketplaces. Com certeza, com os devidos cuidados a compra se torna mais segura, evitando possíveis fraudes”, afirma Bianca.

 

Nesse sentido, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, elaborou um guia orientativo com as melhores práticas a serem abordadas por consumidores online para evitar serem alvos de golpistas. A Senacon ainda informou que vai monitorar o mercado varejista em busca de exposições fraudulentas, bem como manterá disponível uma plataforma para a denúncia de eventuais campanhas maliciosas.

 

“A Black Friday é uma oportunidade de acesso a produtos e serviços, mas também é um momento em que o consumidor precisa estar atento. Queremos empoderar o cidadão e oferecer as ferramentas necessárias para identificar promoções reais e evitar práticas abusivas”, disse o secretário Nacional do Consumidor, Wadih Damous.

 

Boas práticas de consumo

O levantamento da OLX também apurou que 49% das fraudes ocorridas na Black Friday de 2023 foram relacionadas ao Golpe do Falso Pagamento, seguido por invasão de contas (30%), anúncios falsos (11%) e coleta indevida de dados (10%). De acordo com a companhia, a expectativa é que as perdas causadas por ações criminosas sigam na mesma proporção para este ano.

 

Assim, o professor de Ciência da Computação da FEI (Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros), Paulo Sérgio Rodrigues, reforça os alertas para que consumidores evitem práticas temerárias durante a Black Friday. Entre eles, manter duplo fator de autenticação em contas bancárias, e-mails e mídias sociais, não salvar dados em navegadores e manter atenção a ofertas muito vantajosas, evitando ao máximo clicar em links anexos a essas mensagens.

 

“Uma data comercial, como a Black Friday, pode ser o momento de grandes oportunidades de compra. Porém, é necessário tomar as precauções necessárias para que o consumidor não seja prejudicado no momento da compra ou no futuro com golpistas utilizando seus dados financeiros para compras posteriores”, finaliza o docente.

 

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