Adequação dos requisitos de SI no Bacen: O que esperar para o futuro?

Banco Central e CMN atualizam política de segurança e critérios de tecnologia para o Sistema Financeiro Nacional; medidas já estão em vigor, mas exigem conformidade até 1º de março

Compartilhar:

Faltando menos de 30 dias para o fim do prazo, instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central do Brasil (BCB) correm para se adequar aos novos requisitos de segurança cibernética e gestão de riscos tecnológicos, estabelecidos pelo regulador em conjunto com o Conselho Monetário Nacional (CMN) e publicados em dezembro de 2025, a Resolução CMN nº 5.274. As regras atualizam a Política de Segurança Cibernética e impõem novas obrigações de governança, prevenção e resposta a incidentes no Sistema Financeiro Nacional.

Especialistas em regulação e segurança da informação avaliam que este último mês é decisivo, especialmente para instituições que ainda não concluíram ajustes estruturais, como revisão de políticas internas, fortalecimento de controles e adequação de processos à nova lógica de responsabilização prevista nas normas. Segundo eles, o avanço da digitalização financeira e o aumento da sofisticação dos ataques cibernéticos explicam a pressão regulatória por padrões mais elevados de segurança.

Segundo Frederico Tostes, country manager da Fortinet Brasil, ao exigir controles mais robustos de identidade, segmentação de ambientes críticos, monitoramento constante, rastreabilidade e inteligência sobre ameaças externas, o Banco Central eleva o padrão para as instituições. Na prática, isso impulsiona o mercado a sair de uma lógica reativa — ou seja, que hoje é baseada em respostas pontuais a incidentes — para um modelo proativo e orientado por risco.

Esse movimento tem impacto direto na maturidade digital do país. Para as empresas, isso pode significar redução de riscos operacionais e reputacionais, além de maior confiança de clientes, parceiros e investidores, dada a ampliação da previsibilidade, menor superfície de ataque e maior capacidade de sustentar a inovação digital com segurança.

Para Maísa Amaral, Chief Legal Officer da Lerian, startup brasileira especializada em infraestrutura financeira source avaliable, o último mês antes do vencimento do prazo representa um teste de capacidade técnica e maturidade operacional do setor. “O prazo de 1º de março exige que instituições priorizem três frentes simultâneas: implementação de controles técnicos obrigatórios, como testes de intrusão e monitoramento de Deep Web; estruturação de governança com segregação de funções e diretor responsável por segurança cibernética; e preparação de evidências auditáveis para o Bacen. Para instituições com estruturas enxutas, isso significa escolher soluções que entreguem conformidade sem adicionar complexidade operacional. Arquitetura bem desenhada reduz custo de adequação e acelera time-to-market.”, afirma Amaral.

O executivo da Fortinet destaca que outro ponto central da Resolução CMN nº 5.274 é a integração entre tecnologia, processos e pessoas. “Nesse contexto, plataformas de segurança integradas permitem que empresas consolidem a gestão de identidades, protejam redes e aplicações, monitorem ambientes internos e externos com profunda visibilidade, detectem comportamentos anômalos e automatizem respostas a incidentes, tudo de forma coordenada e extremamente mais rápida. Para os líderes operacionais e executivos, o valor extrapola a tecnologia em si e se soma à capacidade de orquestrar decisões rápidas e informadas diante de cenários de risco”, explica Tostes.

Outro mérito da resolução seria reconhecer que a complexidade dos ambientes digitais de atualmente exige automação e inteligência. Monitorar acessos fora do padrão, identificar dispositivos não autorizados, detectar vazamentos de dados ou antecipar ameaças na internet aberta e em ambientes menos visíveis não é mais viável de forma manual.

“É nesse ponto que fornecedores globais de cibersegurança, com presença consolidada no Brasil, podem apoiar líderes e organizações. Ao oferecer soluções já alinhadas às melhores práticas internacionais, essas empresas ajudam o mercado a acelerar sua adequação regulatória, reduzir o custo operacional da segurança e, principalmente, transformar conformidade em vantagem competitiva”, complementa o country manager da Fortinet.

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Mapa da Defesa Cibernética Brasileira revela avanço técnico e centralidade do risco humano

Levantamento inédito do MITI consolida visão estratégica do ecossistema nacional e destaca soluções da Beephish para combater vulnerabilidades comportamentais
Security Report | Overview

Golpe no WhatsApp simula Receita Federal para roubar contas Gov.br no IR 2026

Divisão de inteligência da Redbelt Security identifica campanha de phishing que utiliza ameaças de bloqueio de CPF e sites falsos...
Security Report | Overview

Trojan brasileiro GoPix evolui para ameaça financeira mais avançada do país

Malware utiliza anúncios no Google Ads e técnicas inéditas de redirecionamento para fraudar Pix, boletos e criptomoedas em tempo real
Security Report | Overview

“ATM Jackpotting” gera nova onda de ataques à caixas eletrônicos, aponta threat intel

Especialistas revelam que criminosos utilizam pendrives para esvaziar terminais bancários, explorando falhas físicas e sistemas operacionais defasados que ignoram defesas...